A Internet e seu fluxo ao combate a desigualdade de gênero.

 

Estamos no ano de 2020, 20 anos após o “boom” da internet.

 

A rapidez da comunicação tornou perto o “longe” e catalisou o processo evolutivo em todas as áreas, uma vez que a partilha de informação e experiências está cada vez mais facilitada. Todas concordamos que a área das tecnologias de informação é uma área que continua em expansão e tem cada vez mais profissionais. Mas no meio de tudo isto, qual é o papel das nossas “poderosas de batom” e qual o impacto que temos nesta área?

 

Sabemos que foi um homem, Tim Berners-Lee, que criou a word wide web, e que o Google, sem o qual já não saberíamos viver, foi inicialmente criado também por homens (Larry Page e Sergey Brin). Certo… fantástico. Mas se recuarmos uns bons anos antes, ainda ao século XIX, sabemos que a primeira máquina analítica que originou os computadores foi mostrada ao mundo em 1837 por Charles Babbage, um matemático. Contudo, o primeiro programa de computador é atribuído a uma mulher, Ada Lovelace (foto) que em 1843 sugeriu uma nova forma de calcular os números de Bernoulli através desta máquina analítica. Durante a 2ª Guerra Mundial foi um grupo de mulheres que dirigiu o Eniac,  máquina que foi considerada o primeiro computador digital da história. Seria então de esperar que pelo menos nesta área em que é necessário mais “cérebro” do que a “força” que houve igualdade entre os gêneros correto? Mas a verdade é que estamos muito aquém desse facto. 

 

Ainda hoje está presente o fator sociocultural em que “coisas eletrônicas e computadores” são áreas de “meninos”… Pessoalmente, no ano de 2004 em que entrei na faculdade eramos uma turma de 70 pessoas, em que apenas cinco eram mulheres. E destas cinco, apenas três terminamos efetivamente o curso. Hoje em dia é com bastante apreço que vemos que nas faculdades de cursos tecnológicos já existem mais mulheres, contudo ainda não estamos sequer nos 50/50. E sim, como em todas as áreas continua a haver um estigma em que profissionais mulheres ganham menos na mesma categoria que um homem, apesar de ser um processo que está a ser combatido aos poucos em Portugal, seria inocente e utópico quem achasse que isso já estava em vigor apenas por já ser reconhecida a igualdade por lei. Ai o encapsulamento acaba por ser sempre “resolvido” na experiência demonstrada, na disponibilidade, etc. Mas sabemos a verdade dos factos e cabe a todos na sociedade combater diariamente esse tema, porque o que deve ser considerado para um emprego é a competência para o desenvolver e também a vontade de o realizar bem.

 

Em 2019, foi revelado pela Pioneers um estudo bastante impactante na área. Estudo esse que foi o primeiro feito no país sobre a representatividade feminina no setor tecnológico em Portugal (divulgado pela comunidade Portuguese Women in Tech (PWiT)), uma em cada dez mulheres afirmaram que são as únicas na sua equipa laboral. Neste estudo 38% referiu que auferia menos de salário do que homens na mesma posição e 49% referiu também que já tinha sentido discriminação nos processos de promoção. Um outro dado preocupante que este inquérito demonstrou, foi que 40% das mulheres da área sentiu falta de reconhecimento pelas conquistas alcançadas apenas devido ao gênero.

Como conclusão tivemos que o lento crescimento salarial e a baixa probabilidade de evolução na carreira são de facto fatores que originam a que as mulheres não optem por esta área concreta no momento de “escolher” a carreira profissional.

 

Mas mesmo sabendo destes parâmetros (que não são apenas na área das tecnologias de informação), o que é que nos faz enveredar por esta área? Maioritariamente a paixão pela tecnologia e ser uma área em que estamos em constante estimulação intelectual porque nunca há projetos iguais. O processo de criação e desenvolvimento está sempre latente no nosso dia a dia. Claro que o facto de ser uma área em que é relativamente bem remunerada e estável, também pesa, mas maioritariamente a oportunidade de desenvolver conhecimentos é um dos pontos forte que nos fazem escolher esta carreira.

 Mas então o que é que “estamos” a fazer para trazer mais mulheres para as áreas de tecnologia e sistema de informação?

 

Um exemplo de uma empresa que tenta diminuir este gap é a Microsoft Portugal que anualmente através do programa “DO IT, GIRLS!”, disponibiliza sessões de mentoring e workshops nas áreas de programação, robótica, etc, a raparigas em idade escolar, temos vários grupos como por exemplo as “Geek Girls Portugal” que estão presentes em várias cidades portuguesas e através de sessões e workshops, incentivam a partilha de conhecimento e informação da área numa tentativa já comprovada de incentivo ao papel feminino na tecnologia.

 

É importante referir que cada vez mais a igualdade de gênero é um caminho que se faz principalmente desde os primeiros anos da infância. As crianças e jovens de hoje serão os exemplos de amanhã, assim como nós na nossa idade tivemos os nossos “role models”, por isso mesmo, cabe a cada uma de nós, dar o exemplo de que nós mulheres somos mais do que capazes!

Rita Peres, de Castelo Branco - Portugal. 
Licenciada em Engenharia Informática pela Universidade da Beira Interior e membro do staff da Revista Programar desde 2010.

 

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